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"The School for Good Mothers" é mais uma distopia que poderia ser realidade, ou será que já não é?



6.0

Uma história que provoca revolta e indignação. Nessa distopia que marca a estreia de Jessamine Chan, Frida Liu é uma mãe solteira que divide a custódia da filha Harriet com seu ex-marido Gust — que a deixou por uma mulher mais jovem. Emocionalmente dependente e pressionada pela forma que foi criada por seus pais imigrantes chineses, Frida é submetida a provar sua capacidade de ser uma boa mãe após um dia ruim comprometer os seus direitos de guarda sob a própria filha. Com o estado supervisionando os seus movimentos, ela é encaminhada a uma instituição e passará por um programa semelhante a um reality show que mede o sucesso ou fracasso da dedicação de uma mãe.

A trama provoca o leitor a pensar muito sobre a parentalidade destacando assuntos como primeiro filho(a), a solidão na maternidade — independentemente de ter ou não um parceiro(a) —, abdicações da mãe em prol da criança, degradação da autoestima e abusos. Alguns pontos são bem semelhantes a "O Conto da Aia" (Margaret Atwood), só que aqui focado na criação dos filhos. 

Na instituição que Frida é recomendada, todas as mães são supervisionadas e suas conexões com o mundo externo são completamente privadas, com exceções dos breves momentos que são permitidas ligarem para os familiares — caso mostrassem evolução com o programa e sem poder comentar sobre o mesmo. O estado interfere portanto, na forma que as mães devem criar suas crianças e as punem com a distância quando não obtidos os resultados esperados. Uma distopia que poderia ser a realidade, ou será que já não é?

É angustiante acompanhar os pensamentos narrados pela protagonista a medida que se vê longe da filha e principalmente saber que está sendo cuidada e criada pelo pai e sua nova namorada, perdendo os momentos essenciais durante o desenvolvimento da criança. Ao mesmo tempo ela sofre pressão por ter que se mostrar uma mãe preparada para lidar com as mais diversas situações, afinal "uma boa mãe é capaz de fazer qualquer coisa".

Confesso que alguns momentos são bem arrastados — os capítulos são terrivelmente enormes — principalmente durante o acompanhamento do desempenho das mães na instituição. Acho que a estrutura do livro se montada de forma diferente poderia atrair o leitor com mais afinco. Uma modificação interessante seria trazendo alguns acontecimentos do futuro para o início do livro enquanto desenvolve o presente. Sem contar que poderia ter sido mais curto e ainda assim entregaria o mesmo propósito. É uma perspectiva diferente e intrigante, uma história em potencial, mas que merecia ter sido mais elaborada.

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