contém spoilers
7.0
Stranger Things retorna com o desenvolvimento da trama em torno do Will, interpretado pelo Noah Schnapp, que por sinal da um show de atuação. Acompanhar o personagem foi sofrido e merece créditos. Nessa temporada Will parece não ter escapado por completo dos efeitos do mundo invertido após seu desaparecimento na primeira temporada, sendo atormentado consecutivamente até chegar ao momento que é possuído pelo chamado Devorador de Mentes, que precisa de um hospedeiro para se manifestar.
O desenvolvimento da Eleven (Millie Bobby Brown) fica para segundo plano, o que não é ruim já que não sabíamos o que havia acontecido com ela após o final da temporada anterior. Acompanhamos sua nova vida com o Hooper (David Harbour) enquanto se mantém escondida. Ao entrar na jornada para se autodescobrir, conhecemos superficialmente a sua mãe e ainda sua irmã — em específico no episódio sobre sua irmã percebemos uma parte diferente dos anos 80, algo mais punk. Como era de se esperar, ao decorrer dos acontecimentos ela se reencontra com o grupo de crianças formado pelo Mike (Finn Wolfhard), — que serve apenas como suporte do Will — Dustin (Gaten Matarazzo) — que adotou um monstro como pet — e Lucas (Caleb McLaughlin).
Apesar dos acontecimentos alarmantes, essa temporada não passa o mesmo tom sombrio que a primeira, ou pelo menos não com a mesma intensidade. A introdução de novos personagens como Max (Sadie Sink) e seu irmão Billy (Drace Montgomery) é um ponto positivo para a história já que aconteceu de forma natural. O triângulo amoroso entre Nancy Wheeler (Natalia Dyer), Steve Harrington (Joe Keery) e Jonathan Byers (Charlie Heaton) foi resolvido por uma desculpa esfarrapada — sim, jogaram falecida amiga da Nancy, Barbara Holland (Shannon Purser), que ninguém se importou — apenas pelo fan service. Com Steve fora do caminho após Nancy ficar com Jonathan, a solução foi jogá-lo como babá no grupo dos meninos, que estranhamente funciona e continua o arco de redenção do ex-bad boy.
No geral a trama se manteve interessante, porém linear, — em vários momentos me peguei pausando para fazer outras coisas, principalmente nos primeiros episódios já que abusam do óbvio — os efeitos melhoraram, com exceção de algumas cenas com o Demodog (pet assassino do Dustin), mas nada que atrapalhe o roteiro ou a qualidade da série. Os irmãos Duffer provam mais uma vez sua capacidade de fazer um trabalho de qualidade e rico em detalhes.