"O Trono de Fogo" de Rick Riordan marca um livro de transição mediano, mas com personagens cativantes.
contém spoilers
6.0
Continuando suas aventuras para salvar o mundo, Sadie e Carter Kane desembarcam em mais uma jornada para derrotar Apófis, a serpente do Caos que está se erguendo. Os irmãos Kane apesar de não dominarem seus poderes por completo, agora viram professores de diversos magos aprendizes ao redor do mundo. Tudo isso na Casa do Brooklin. Os irmãos devem buscar as três partes do Livro de Rá, para poderem decifrar seus encantamentos e despertá-lo.
Nesse segundo volume somos apresentados a diversos personagens novos, como Walt e Jaz, aprendizes dos irmãos Kane. Um clima interessante surge entre Walt e Sadie, que mais tarde trará conflitos, principalmente porque existe uma grande admiração de Sadie por Anúbis. A história em si gira em torno de Rá, o deus Sol, e Apófis, o Caos. Apesar de tentar salvar o mundo, outros magos estão contra os Kane, pois os culpam pela desordem no mundo dos deuses.
Se acharam que Set era o grande obstáculo em A Pirâmide Vermelha, não sabiam o quê viria em "O Trono de Fogo". Tirando a grande ameaça que é a serpente, Riordan nos introduz a um antagonista muito interessante que é Vladimir Menshikov, mago russo e que junto aos seus seguidores e ao Sacerdote-leitor Chefe, Desjardins, estão dispostos a impedir os Kane.
Encontramos aqui algumas referências á Percy Jackson: no capítulo 6, Carter menciona que Sadie havia visto um cavalo-voador (Blackjack) nos céus de Manhattan e que ele mesmo ao olhar além do rio poderia jurar ver coisas estranhas (Acampamento Meio-Sangue?), talvez ilusão de óptica.
Além das diversas aventuras pelo Duat e seus desafios, os personagens nesse segundo volume são bem mais interessantes do que o anterior. O que é Bes (deus anão)? Um personagem muito engraçado, uma verdadeira figura e responsável por salvar os irmãos Kane em diversos momentos. Honra ao mérito pra ele! E o que falar da hipopótamo prestativa, Tawaret? Um doce de personagem e muito cativante.
Não existe de fato um grande plot nesse livro: Apófis consegue se libertar, mas é afastada para o fundo do Duat por Desjardins que percebe, tarde demais, que Vladimir é um aliado do Caos. O Sacerdote-leitor Chefe acaba por sacrificar sua vida na tentativa de atrasar a serpente. É muito estranho um inimigo apresentado como poderosíssimo ter sido "atrasado" de forma simples por Desjardins em uma narrativa que não durou nem 3 páginas. Então você pode perguntar: mas Desjardins morreu, como Apófis não é poderoso? Poderoso é, mas Desjardins morreu porque Vladimir estava fazendo encantamentos para deixá-lo cada vez mais fraco, e curiosamente ele nunca percebeu.
Os irmãos Kane derrotam Vladimir e seus seguidores também com facilidade, enquanto despertavam Rá, descobrindo que ele não passa de um velho cansado. O grande objetivo desse livro é mostrar que Sadie e Carter precisarão da ajuda de todos os magos e deuses para destruir Apófis, o problema é convencê-los que eles não são os inimigos.
É necessário entender que é um livro de transição, embora muito do que aqui foi apresentado consiga superar o primeiro livro em diversos aspectos, por muitos momentos me peguei pensando que as coisas só estão se repetindo. Talvez eu tenha descoberto minha maior implicância com a escrita de Riordan, pelo menos nessa trilogia. Os personagens são submetidos as diversas missões e sempre alertados quanto ao tempo que falta para salvar o mundo, porém, mesmo sabendo disso, existem pausas frequentes que eles não fazem absolutamente nada que contribua para o desenrolar da trama e que acaba afetando a conclusão, pois gera um final precipitado e simples.